segunda-feira, 11 de outubro de 2010

se ela é tão fumaça
como o real que me comove.
observo algo a menos

dias como madrugada
e madrugada apenas
como dia havendo
o mar sendo onda
revela-se no escuro

de mais, observo o nada:
pessoas morrendo,
dias passando
em passo sombrio e silencioso.
observo a morte
sem nada mais
entender

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

por estar sóbrio
.
.
.
por tanto quanto-
_______________mei.
por que me deixava
_______________-sã.

por tudo que botaram
por quanto,
foi rima, dor e clichê
______ruído

ritmo________insustentável

_____insolúvel


________que me lembra ser.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

poema noturno

sente na ausência
algo indefinir
busca poesia ou filosofia,
tentear mais respostas que houverem.
vãs.
se esvai no átimo:

em ruas conhecidas
por nomear,
distante o verbo, presente o medo

questões ancestrais
com respostas fáceis
concluem nada
sobre o nada que carregam

enumera versos arrítmicos
incontextuais, incongruíveis
ao desistir
sem tentar o real

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Menino Morto (tentativa de Haicai)

rio congelado
na neve, corre o menino
outono ainda chora

Neujahrstag

artíficies articulam ilusões: céu noturno
bebida fraca queima garganta: fogo estelar
Feuerwerk

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Norma

imposições artificiais,
pesadas
sobre pena e língua
desgastam a palavra,
além de mim;
e me tiram as razões.
Entendimento,
caro amigo.
nas confortáveis fumaças
do letárgico saber.

compreensão não me parece ser...
nem é preciso.

Réquiem para a identidade poética.

cantar o fim
do(s) sentido(s), da razão, do poema
quebrar. quebrar.
construir o nada

entender o não:
propósito do rompimento
achar a beleza do ausente
e que não haja recompensa
na incerteza do verbo não Ser,
ao menos procurar

destruir o indizível
e tantas coisas mais;
separar o verso, inocente

e não deixar
no verso apenas

fazer de cada palavra
vida dentro da morte.
Apenas
______será suficiente
__________________a mudança.
Apenas
______fim.

Apenas
______será suficiente
_________________a mim,
______instrumento
________________do poema.
________________________(e de mais o quê?)
do descaso de sentir-te tanto.

domingo, 29 de agosto de 2010

do que (Realmente) se trata:

(ou "o que se trata é doença.")

e tudo se trata
apenas:
desrespeitar a palavra

e enfiar a poesia no rabo.

Salvar.

brincar com a plavran
palavraõn, gigo, digo...
palavra.

descrever como onda a incessante corrente,
do ser que me atravessam,
atravessa, digo, corrijo.
eu sou

como no de serpente
do ser do sabente,

errou.

como eu diga e
afirma que a nota imprecisa,
pressou.

como um canto enfadonho
do distante
singelo
gelou

como eu me corrija
e fadiga
me atinja.
velou.

domingo, 22 de agosto de 2010

Sentidos

Palavra entra através
olhos, ouvidos
e demais sentidos
se assim houvessem

Sai crua
por dedos ou bocas
e demais sentidos
há de expressar

Palavra, apenas
papel, caneta e voz
ouvida.
cantada, não lida
repete os demais
e vai,
se assim quiserem
senti-la

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Por que todas as noites
acabam, invariavelmente
em cerveja, sacanagem
e poesia?

Por que perguntar?
Por que dizer?
ler?
Por quê?

Poesia muda o mundo.
transforma
Esse não é o porquê.

The darkest 'n longest night

Nesta noite percebi
pereci o velho
alguém fala sobre melhora
algo caminha

faço projetos
tão etéreos como o sonho
tão concretos como a fumaça

algo está por vir.
Gastei folhas alheias
com sonhos,
inatingíveis.

Gastei idéias,
como um viciado
a procurar.

Me achei em algo
inexistente

Valeu a pena
neste momento.

O que é um poema?

E como terminá-lo?

O poema é.
Algumas imagens
e a fumaça
do que pode ser.

Termino com um ponto final.
E a mesma fumaça de sempre
do que pode ser.

O Homem da minha vida

O Homem da minha vida
diz sim
ele é forte e puro.
ele contrasta.

A minha vida
diz.
Ela é
pura.

A vida é.
Contraste
Jurei, seria
o último verso, carteira
canção.

Jurei amor eterno
e tantas coisas mais.

Prometi tanto... tanto...
Que me esqueci.
do que era, fui
sou.
Agradecer ao canalha
E escrever, apenas
bêbado.
Acho que estou...

Imagens e faróis
distantes, passam.
E eu aqui
Procurando a palavra errada
pra encaixar no verso certo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Escrevo porque não é,
por não ser.
Nao é tatuagem.
Se mostra o momento,
ente.

Escrevo porque é.
Se mostra o momento
naquele momento
eterno,
ser.

Escrevo porque sou
poesia.
o golpe de sorte da noite me bastaria para dizer:
tudo isso é tão falho

desistir da revolta
me faz transcender.
desistir da prosa,
tanto faz.

mas a poesia me reinventa
me dê mais uma cerveja
e eu prometo, não farei outro poema

apesar de não acreditar na revolução
apesar de ser o primeiro
e último
poema.

que não se ouve
e não se chora
enquanto se sente
e se quer chorar
enquanto ri
dos versos alheios
enquanto a amizade fala:
"falha"

e o poema não acaba,
atravessa o tempo
e a música.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Litorâneo

sentir, vento
eriçar de pêlos
certezas: fumaça

certeza essa, sei
não valhe mais que palavras

sei, porém:
a concretude da areia,
do sal, da água...
viva ou da vida?
em momento nenhum,
ao que parece,
me aparece como mais real
do que a embriaguez,
ou o quase-sono.

Poema Passarinho

Cento e quarenta caracteres
e um poema
Cento e quarenta caracteres
e algumas metáforas
Foi tudo que o passarinho
pôde me dar
Cento e quarent

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Rubro eu.

A cor, a flor pintada,
não é menos real.

a Verdadeira é. Muito menos.

Soldados de Copas, cortam as cabeças.
O sorriso de Cheshire.

o tom das sombras.
assusta, é. eu sei...
Rubro eu. Azul
Rubro você. Carmim

terça-feira, 13 de julho de 2010

Algo Poético

Há algo em meu ser que não percebo.
Justamente por não perceber.


Há algo.

Escondido.

_____________onde surge toda poesia.

E para lá volta,

_____________vazia.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Amor, pode não ser.
Se eu ou você,
assim quiser.
Mas eu sempre volto
em seus braços.

E são pra ti,
todos meus poemas.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Poema mais triste

Hoje, escrevi o poema mais triste.
Um que era feito apenas de palavras.
Não foi escrito com sangue,
não havia lágrima sequer, naquele papel.

Era tão belo...
E por isso sem valor.

Era verdade.
E por isso tão triste.
Era o poema que me cortava a carne,
separava os ossos.
Só para costurar de novo.

Transformava o mundo
em algo muito mais sólido
do que fumaça.

Toda poesia se tornava concreto.
Toda palavra, canção.
Mesmo que fora do tom.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Poema Incompleto

Não quero falar de amores,
perdido.
Nem cantar rejeição.

Realidade já me basta,
consome.
Fora do papel.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Poema da Recusa Nº1

Pudesse eu unir.
Todos meus versos
em um.

Teria como título teus olhos.

E como final,
teu não.

Poema da Recusa Nº2

Conquista com o não.
Quem há de resistir?
Melhor é a recusa,
que tudo aquilo que se pode ter.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Genialidade não encontrarás.
Amigo, forasteiro...

Aqui se repete o óbvio.
Apenas.

Aqui, poemas falsos,
se escrevem sobre outros poemas...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Apoética

Um, dois versos.
Duas doses,
outro maço.

Não é poesia.
Longe de mim.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Café, pão de queijo, sono e corações partidos.

Inútil,
é todo amor?
Todo poema é vão.

Poemas pobres,
não deveriam nascer.

Nascem.

sábado, 22 de maio de 2010

Búzios

O salto alto
Pelas esquinas de pedra
Impecáveis minissaias

Ninguém pra me salvar

É tudo igual
Todas as noites
Cerveja barata
Cigarros apagados

Jardins Suspensos do Fundão

Não crio poemas,
construo jardins.
Se poemas fossem,
Versos pobres, símbolos,
palavras. Aglutinados,
rimas inexistentes
Se fossem poemas...

Se por fim acreditar:
Meus jardins me criam
Serei feliz. Um minuto
Sem, no entanto,
Compreender o que é
felicidade
Quem sabe um dia,
eu te escreva um poema
se você quiser,
eu sou.

Quem sabe um dia,
eu te mato.

Poética da Fumaça

O tédio, o isqueiro.
Me empreste um, por favor.
Só tenho fósforos,
Tanto faz, tanto faz...

O fogo e o suspiro.
A poesia se transforma:
fumaça, fumaça,
todo poema é fumaça.

O dia, o dia:
É só o fim do dia.
Mais um, só mais um.
Prometo, será o último
poema.